terça-feira, 4 de setembro de 2012

Era digital

Aí você resolve ressuscitar seus perfis na rede.

Começa pelo blog. E trava.

Decide mudar o plano: vai para o twitter. Posta uma enxurrada de palavras que esbarram no critério de limitação de espaço. Apaga tudo. Reescreve. Muda toda a frase. Abrevia. Desiste de escrever o que estava pensando e apela para a reclamação, pura e simples (que critica, é claro, a limitação de espaço).

Resolve dar uma olhada no perfil do linkdIn. Arrependimento amargo: o portal ainda se refere a você como "estagiário".

"Depois do tanto que sofri pra sair disso??"

Um desaforo.

Desaforo que te leva a mexer em tudo: na profissão, nos convites dos amigos, na descrição das atividades atuais. Tudo só é possível, obviamente, após o duvidoso processo de recuperação de senha no e-mail.

Com o tempo, o entusiamo pelas mudanças fica pelo caminho. O sono bate e a paciência, esgota. "Amanhã eu volto.", promete. No fundo, sabe que mente. O "amanhã" vai chegar depois de mais dois anos, com um novo lembrete de senha batendo na caixa de entrada do e-mail.

Então você começa a divagar. A pensar em como tudo devia ser mais leve e reconfortante nos tempos em que não havia internet para cobrar a atualização constante (e em tempo real).

Devia ser mais fácil. Mais leve, sincero e... menos desaforado.

Aí você respira fundo. Encara a sensação melancólica que te conta que o caminho traçado não tem volta.

Aí você volta pro blog.

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