domingo, 8 de maio de 2011

Os Dias das Mães

Em todo Dia das Mães, a mesma coisa: sobra  a impressão de que as pessoas se dividem em dois grupos, o daqueles que alardeiam aos quatro ventos o famoso "Mãe, te amo", e os que criticam o fator comercial da data, ao argumentar que mãe é mãe todos os dias, não num único domingo.

De minha parte, confesso que me sinto (no mínimo!) incomodada com a situação. Parece haver toda uma  "obrigação" de passar o dia (ou ao menos o almoço de domingo) com ela, de comprar um lindo presente e de nos darmos muito bem durante todo o período, para termos um completo e "Feliz Dia das Mães".

Desconfio da teoria da conspiração de que essa data foi inventada unicamente para fins capitalistas, mas de um modo geral, acho o dia das mães, como todas as outras datas comemorativas, muito apelativo. É se valer da figura materna (na maioria das vezes, "inatingível") para levar à consumação. Além do fator dinheiro, há ainda o fator moral, em que não reservar o dia para ficar ao lado "dela" parece ser inconcebível, motivo de condenação pública (ainda que velada, claro). E, finalmente, o fator privativo, que exclui da celebração qualquer um que não possua uma figura materna a que possa recorrer na ocasião.

Acho que não celebrar o dia, afinal de contas, não é tão condenável assim. A gente deveria ter liberdade para não abraçá-la na manhã de domingo ao mesmo tempo em que fala "Feliz dia das Mães, te amo", enchendo-a de beijos; Meu almoço não deveria ser necessariamente com ela caso eu (ou ela!) não quisesse; Não deveria me sentir constrangida diante dos que não tem mãe e que são anualmente lembrados disso.

Queria que as coisas fossem diferentes. Que as familias só se reunissem caso de fato quisessem. E que não sofressem nenhum tipo de "represália social" caso não fizessem isso. Queria que as mães fossem valorizadas no dia a dia, e não numa data específica, quando todos os problemas devem ser esquecidos (ainda que temporariamente). 

As datas comemorativas sempre carregam em si um propósito maior do que consideramos num primeiro momento. O problema é que o sentido da ocasião vem anualmente se esvaziando e cada vez mais passamos a agir de modo automático, sem refletir a respeito da importância de todo o gesto. 

Eu queria, enfim, que esse sentido todo fosse resgatado. Que tivéssemos a liberdade para sermos sinceros com a mulher que mais nos ama e compreende neste mundo. Deveria ser mais simples. Afinal, é tudo muito simples. 

Mãe, te amo!

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