Outra vez, estou aqui.
Chego tímida. Leio algumas frases no começo de um texto, as palavras finais de outro, o título de um terceiro.
Sem mais nem menos, me entrego. Quando percebo, já estou devorando seguidamente todos os textos de seu blog. Às vezes mergulho fundo. Leio dois, três seguidos, sem nem ter tempo para respirar. Então, como que para voltar à calmaria, você me aparece com uma crônica mais singela, profunda, que me faz meditar por alguns minutos e prender o fôlego enquanto um turbilhão de sentimentos remoinham pela minha cabeça.
Então me lembro do motivo de minha ausência. Incomoda-me reconhecer a mim em tudo o que você escreve. Mais do que isso, me dói ler seus textos autobiográficos e sentir a vontade de ser a dona dessas histórias. Vergonhosamente, sou levada a (mais uma vez!) admitir o quanto seus textos são do caralho. E do quanto eu gostaria de ter esse dom que você tem, de fazer com que os outros se reflitam diante do seu espelho.
Chega a ser cruel. Como se você soubesse, sabe-se lá como, que suas palavras vão calar bem fundo na alma dos outros. E, mesmo assim, as escrevesse sem dó. E depois, se deixasse ficar ali, vitoriosa, esperando os comentários chegarem, um a um, elogiando tudo o que você sempre soube que seria elogiado. São tantos que já nem afagam mais o seu ego. Mesmo se não existissem, ainda assim, você prosseguiria.
Escrever é o tipo de coisa que você faz sem esforço. Naturalmente, obrigação e prazer se complementam. Você escreve por necessidade, por tesão. Escreve porque tem de escrever.
E é por isso que eu não quero te ler. Por saber que jamais terei essa facilidade. Pior! Por ter a certeza de que irei me esforçar, escrever, voltar, apagar, reler. E o resultado será risível quando comparado a tudo o que você escreve de forma leviana.
Nessa hora, vai parecer mais fácil te criticar, me valer das difamações que eventualmente me vem à boca quando falo de você a terceiros. No fundo, despeito puro. A necessidade de te depreciar diante dos outros é fruto da inveja e do medo de ser desmascarada. Falta coragem para afirmar, a mim mesma e aos outros, que te amo.
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