segunda-feira, 6 de junho de 2011

domingo, 5 de junho de 2011

Morada

Manha, molejo, mimo.
Morena-menina.


Molesta, melindra, macula.
Menina-mulher.


Mudança!
Menino? Menina?
Maldição.


Mágoa.
Medo.
"Manda matar!"
Monstro.
Medita: "melhor manter."

... meses .... 

Móvito.
Morte.

sábado, 21 de maio de 2011

Pro mundo não acabar nesta tarde

Aquele pedido de desculpas ficou engasgado. Disputando seu espaço na garganta com o nada original "o que você vai fazer esta noite?"

Eu ainda não liguei para a moça do banco e também não busquei o edredom na lavanderia. 
Não me curei daquela gripe. E nem daquele pé na bunda.

Até agora não retomei meu curso, não reatei alguns laços de amizade ou rompi com outros.
Tenho muitas parcelas da prestação para pagar. E não sei quem vai ganhar o Brasileirão deste ano. E nem se o Santos leva a Libertadores. 

Barcelona continua sendo um sonho. Distante. Que precisa de tempo para ser concretizado.

O livro bacana só está a um pouco mais da metade e as outras leituras "indispensáveis" permanecem dispensadas, reunidas na página final do caderno. 

A prova difícil é só no mês que vem. A resposta da entrevista de emprego, na segunda. O jantar foi marcado para começo de julho.

Ele ainda vai se dar conta de tudo. E ela ainda vai ler o recado.

A temperatura vai esquentar uns três graus.

Certeza que é amanhã o grande dia.
Preciso de mais tempo.



terça-feira, 17 de maio de 2011

Educandário nacional

- É difícil. Muito difícil, mãe!
- Não é, não. Logo, logo você pega o jeito. Espera pra ver.


Este diálogo (e suas variações) se repetiu seguidamente, durante cerca de quatro meses, há 15 anos. Na época, eu estava sendo alfabetizada e não entendia como a leitura poderia ser tão automática e natural para meus pais, enquanto que para mim... bem, lembrar a exata sonoridade das vogais já representava atitude de máximo esforço.

Com o tempo, fui pegando a manha. Acho que o fato de meus pais sempre terem me incentivado a ler acelerou consideravelmente o processo (em tempo. Mãe, pai: brigadão, viu?).

Eu cresci, me apaixonei por literatura e pela escrita, me formei em jornalismo. Então, numa dessas navegadas despretenciosas pela internet, eis que me deparo com esta matéria.

(Pra você que, assim como eu, eventualmente tem uma puta preguiça de clicar no link: te encaminha para um texto de O Globo sobre alunos copistas, uma espécie de "variante" dos analfabetos funcionais. Enquanto os primeiros têm dificuldade para compreender o que leram/escreveram, estes últimos só são capazes de copiar as letras, desenhado-as conforme veem na lousa.) 

Esta reportagem calou fundo. Se já era difícil conviver com a realidade de que a maioria dos cidadãos têm dificuldade para realizar uma simples interpretação de texto, estar diante dessa nova lacuna na educação básica (a que, a propósito, todo brasileiro tem direito), repugna.

Novamente sou levada a refletir sobre os vários Brasis que coexistem num único território. Infelizmente, a nação que se orgulha por ser a sétima economia mundial, a futura sede dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo, a grande promessa dentre os países emergentes, a "bola da vez"... é a mesma que lega ao seu povo a mordaça do analfabetismo. 

Estamos falando de jovens de 13, 14 anos, que só sabem desenhar seus nomes caso tenham de onde "colar" a forma dos traços. E, ainda que o tenha feito com maestria (como é o caso de muitos dos estudantes entrevistados na matéria), não saberá dar ao termo seu devido sentido. A que tipo de perspectiva um indivíduo como este pode se entregar?

Para mim, a integração é a chave para muitos dos problemas sociais que nos atingem. Muito se questiona sobre os aeroportos, os estádios, a inflação, as estratégias de sedução dos partidos políticos para as classes emergentes. Discussões muito legítimas. Mas que ocorrem à revelia daqueles que sequer sabem interpretar o significado de seus traços.

O aluno copista é herança da política de progressão continuada, sistema, surgido nos anos 60, que eliminou a repetência dos alunos nas escolas públicas independentemente do conhecimento adquirido, sob a justificativa (devidamente embasada por pesquisas) de que um aluno tende a ganhar mais quando o processo de aprendizagem é contínuo. Na prática, a medida representou um sistema de aprovação descriterioso e coletivo.

 Unificar um país deveria ser o objetivo, a prioridade e a motivação de todos. Mas não por meio de medidas paliativas e de consequências subestimadas. Como crianças, preferimos fechar os olhos, fantasiar as belas promessas sussurradas ao ouvido, ao invés de lermos e interpretarmos, por nós mesmos, a história que de fato estava escrita.

sábado, 14 de maio de 2011

Em razão de tudo o que você escreveu

Outra vez, estou aqui.

Chego tímida. Leio algumas frases no começo de um texto, as palavras finais de outro, o título de um terceiro.

Sem mais nem menos, me entrego. Quando percebo, já estou devorando seguidamente todos os textos de seu blog. Às vezes mergulho fundo. Leio dois, três seguidos, sem nem ter tempo para respirar. Então, como que para voltar à calmaria, você me aparece com uma crônica mais singela, profunda, que me faz meditar por alguns minutos e prender o fôlego enquanto um turbilhão de sentimentos remoinham pela minha cabeça.

Então me lembro do motivo de minha ausência. Incomoda-me reconhecer a mim em tudo o que você escreve. Mais do que isso, me dói ler seus textos autobiográficos e sentir a vontade de ser a dona dessas histórias. Vergonhosamente, sou levada a (mais uma vez!) admitir o quanto seus textos são do caralho. E do quanto eu gostaria de ter esse dom que você tem, de fazer com que os outros se reflitam diante do seu espelho.

Chega a ser cruel. Como se você soubesse, sabe-se lá como, que suas palavras vão calar bem fundo na alma dos outros. E, mesmo assim, as escrevesse sem dó. E depois, se deixasse ficar ali, vitoriosa, esperando os comentários chegarem, um a um, elogiando tudo o que você sempre soube que seria elogiado. São tantos que já nem afagam mais o seu ego. Mesmo se não existissem, ainda assim, você prosseguiria.

Escrever é o tipo de coisa que você faz sem esforço. Naturalmente, obrigação e prazer se complementam.  Você escreve por necessidade, por tesão. Escreve porque tem de escrever.

E é por isso que eu não quero te ler. Por saber que jamais terei essa facilidade. Pior! Por ter a certeza de que irei me esforçar, escrever, voltar, apagar, reler. E o resultado será risível quando comparado a tudo o que você escreve de forma leviana.

Nessa hora, vai parecer mais fácil te criticar, me valer das difamações que eventualmente me vem à boca quando falo de você a terceiros. No fundo, despeito puro. A necessidade de te depreciar diante dos outros é fruto da inveja e do medo de ser desmascarada. Falta coragem para afirmar, a mim mesma e aos outros, que te amo.

domingo, 8 de maio de 2011

Os Dias das Mães

Em todo Dia das Mães, a mesma coisa: sobra  a impressão de que as pessoas se dividem em dois grupos, o daqueles que alardeiam aos quatro ventos o famoso "Mãe, te amo", e os que criticam o fator comercial da data, ao argumentar que mãe é mãe todos os dias, não num único domingo.

De minha parte, confesso que me sinto (no mínimo!) incomodada com a situação. Parece haver toda uma  "obrigação" de passar o dia (ou ao menos o almoço de domingo) com ela, de comprar um lindo presente e de nos darmos muito bem durante todo o período, para termos um completo e "Feliz Dia das Mães".

Desconfio da teoria da conspiração de que essa data foi inventada unicamente para fins capitalistas, mas de um modo geral, acho o dia das mães, como todas as outras datas comemorativas, muito apelativo. É se valer da figura materna (na maioria das vezes, "inatingível") para levar à consumação. Além do fator dinheiro, há ainda o fator moral, em que não reservar o dia para ficar ao lado "dela" parece ser inconcebível, motivo de condenação pública (ainda que velada, claro). E, finalmente, o fator privativo, que exclui da celebração qualquer um que não possua uma figura materna a que possa recorrer na ocasião.

Acho que não celebrar o dia, afinal de contas, não é tão condenável assim. A gente deveria ter liberdade para não abraçá-la na manhã de domingo ao mesmo tempo em que fala "Feliz dia das Mães, te amo", enchendo-a de beijos; Meu almoço não deveria ser necessariamente com ela caso eu (ou ela!) não quisesse; Não deveria me sentir constrangida diante dos que não tem mãe e que são anualmente lembrados disso.

Queria que as coisas fossem diferentes. Que as familias só se reunissem caso de fato quisessem. E que não sofressem nenhum tipo de "represália social" caso não fizessem isso. Queria que as mães fossem valorizadas no dia a dia, e não numa data específica, quando todos os problemas devem ser esquecidos (ainda que temporariamente). 

As datas comemorativas sempre carregam em si um propósito maior do que consideramos num primeiro momento. O problema é que o sentido da ocasião vem anualmente se esvaziando e cada vez mais passamos a agir de modo automático, sem refletir a respeito da importância de todo o gesto. 

Eu queria, enfim, que esse sentido todo fosse resgatado. Que tivéssemos a liberdade para sermos sinceros com a mulher que mais nos ama e compreende neste mundo. Deveria ser mais simples. Afinal, é tudo muito simples. 

Mãe, te amo!