quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O aniversário de Freddie


Hoje é aniversário do Freddie Mercury.

O vocalista. Daquela puta voz.

Freddie Mercury era autêntico, intenso, depravado. Ao menos pra mim. Quando ele morreu (em 24 de novembro de 1991, um dia após declarar ao mundo que estava doente e na véspera (soube hoje) do dia em que completei 3 anos de idade), eu não tinha sequer consciência de sua existência. E nem de que eu própria existia no mundo.

Hoje, concordo com todos que o consideram um dos maiores vocalistas de todos os tempos - tomando como base canções e apresentações feitas na época dos anos 70 e 80 (um beijo, YouTube!) das quais não participei.

Eu me emociono com sua atuação. E desejo voltar no tempo, para o tempo dele.

Mercury e eu temos somos (éramos?) duas pessoas, que viveram em tempos e espaços distintos e que só coexistiram num mesmo mundo durante três anos - e ainda assim, separadas em continentes diferentes.

Hoje, estamos conectados por meio da música. As minhas músicas: são as músicas dele.





Homenagem do Google ao aniversário de 66 anos de Freddie Mercury


"Queen" no "Rock in Rio de 85" - Em shows realizados nos dias 12 e 19 de janeiro

Parabéns, Freddie. E obrigada.





terça-feira, 4 de setembro de 2012

Era digital

Aí você resolve ressuscitar seus perfis na rede.

Começa pelo blog. E trava.

Decide mudar o plano: vai para o twitter. Posta uma enxurrada de palavras que esbarram no critério de limitação de espaço. Apaga tudo. Reescreve. Muda toda a frase. Abrevia. Desiste de escrever o que estava pensando e apela para a reclamação, pura e simples (que critica, é claro, a limitação de espaço).

Resolve dar uma olhada no perfil do linkdIn. Arrependimento amargo: o portal ainda se refere a você como "estagiário".

"Depois do tanto que sofri pra sair disso??"

Um desaforo.

Desaforo que te leva a mexer em tudo: na profissão, nos convites dos amigos, na descrição das atividades atuais. Tudo só é possível, obviamente, após o duvidoso processo de recuperação de senha no e-mail.

Com o tempo, o entusiamo pelas mudanças fica pelo caminho. O sono bate e a paciência, esgota. "Amanhã eu volto.", promete. No fundo, sabe que mente. O "amanhã" vai chegar depois de mais dois anos, com um novo lembrete de senha batendo na caixa de entrada do e-mail.

Então você começa a divagar. A pensar em como tudo devia ser mais leve e reconfortante nos tempos em que não havia internet para cobrar a atualização constante (e em tempo real).

Devia ser mais fácil. Mais leve, sincero e... menos desaforado.

Aí você respira fundo. Encara a sensação melancólica que te conta que o caminho traçado não tem volta.

Aí você volta pro blog.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Numa manhã...


Escutei-o conversando com a mãe. Queria sentar ao meu lado. Não, na verdade, queria sentar no meu lugar, para que a mãe ocupasse o outro assento e ele pudesse encostar a cabeça nela um pouquinho.
Mas eu estava lá. E, como não tinha jeito, ocupou o assento vago e deixou a mãe no outro banco.
Pouco me importei com a situação. Continuei com a leitura. Em poucos minutos, um muxoxo. Ignorei. Logo em seguida mais um, um pouco mais alto, mas ainda inteligível.
Na terceira vez, não resisti. “O quê?”. “Xhshsahs” (é a tradução mais fiel do que pude entender). “Hã?”, insisto. “Xhshsash”, repete. Eu desisto. Ele, não. Do nada, dispara:
- Você vai pra igreja?
- Não. E você?
- Eu vou.
Claro, não sabia o que responder. Entrei no jogo.
- Todo dia?
- Não, só aos domingos.
- Ah… que bom.
Ele muda de assunto. “Olha minhas figurinhas. Tenho um monte de álbuns: o da Copa, Hot Wheels, Cars…”, “Sério? Deixa eu ver” – falo, já pegando o bolo da mão dele.
-Tem bastante repetida. – Ele meio que se desculpa.
-Mas você não troca? – Arrisco.
-Não.
-Ah… por quê?
- Porque não. Meu álbum já tá completo.
- Todos?
- Não. Só do Hot Wheels. Olha, serve de figurinha e de tatuagem também. – ele arregaça a manga da blusa azul e me mostra o carrinho amarelo, já meio gasto, que tá “tatuado” no braço direito.
- Que bonito! Você tem quantos anos?
- Oito.
- Qual é o seu nome?
- Matheus.
- Legal, Matheus.
- Você estuda? – Mais uma guinada de assunto.
- Sim, tô indo “pra escola” agora. E você?
- Eu não, eu tô indo tirar minha carteira de identidade.
- Ah, é? Poxa, que legal! – Imaginei aquela carinha numa foto 3×4. Ele sorriria? Choraria? Acho que faria uma expressão de adulto, o perfeito “homenzinho”. Fofíssimo.
Somos interrompidos:  “Matheus, vamos. A gente desce no próximo”.
Já estava me acostumando com o papo. De repente, me vejo frustrada com a despedida precoce.
- Você que é a mãe do Matheus?
- Sou, sim.
- Parabéns.
- Obrigada.
Eu queria completar com um “seu filho é…”. Mas, o que falar daquela criaturinha de oito anos que puxa assunto com uma estranha pra perguntar se ela vai à igreja?
- Tchau, Matheus. Foi um prazer.
- Tchau.
Acho que algumas pessoas, sabe-se lá o motivo, precisam passar pela sua vida. Em menos de quinze minutos, o Matheus passou pela minha. E um pedacinho dele vai ficar aqui pra sempre.

sábado, 21 de maio de 2011

Pro mundo não acabar nesta tarde

Aquele pedido de desculpas ficou engasgado. Disputando seu espaço na garganta com o nada original "o que você vai fazer esta noite?"

Eu ainda não liguei para a moça do banco e também não busquei o edredom na lavanderia. 
Não me curei daquela gripe. E nem daquele pé na bunda.

Até agora não retomei meu curso, não reatei alguns laços de amizade ou rompi com outros.
Tenho muitas parcelas da prestação para pagar. E não sei quem vai ganhar o Brasileirão deste ano. E nem se o Santos leva a Libertadores. 

Barcelona continua sendo um sonho. Distante. Que precisa de tempo para ser concretizado.

O livro bacana só está a um pouco mais da metade e as outras leituras "indispensáveis" permanecem dispensadas, reunidas na página final do caderno. 

A prova difícil é só no mês que vem. A resposta da entrevista de emprego, na segunda. O jantar foi marcado para começo de julho.

Ele ainda vai se dar conta de tudo. E ela ainda vai ler o recado.

A temperatura vai esquentar uns três graus.

Certeza que é amanhã o grande dia.
Preciso de mais tempo.